O que acontece na barriga não fica só na barriga.
Sabe aquele frio na barriga antes de uma conversa difícil? Ou o intestino que trava sempre que você viaja? Os dois mostram que intestino e cérebro conversam o tempo todo.
A ciência chama essa via de eixo intestino-cérebro [1]. Ela ajuda a explicar por que o que acontece na digestão aparece também no humor e na disposição.
O segundo cérebro
O intestino tem uma rede própria de neurônios, com centenas de milhões de células. Ela coordena a digestão quase sem depender do cérebro, e daí vem o apelido de segundo cérebro.
Ao lado desses neurônios vivem trilhões de bactérias e outros microrganismos, o chamado microbioma intestinal. Quando está equilibrado, ele digere fibras que o corpo sozinho não consegue quebrar e produz substâncias que alimentam a parede do intestino. Boa parte do sistema imunológico também fica ali, em contato direto com essas bactérias.
Quando esse equilíbrio se perde, os sinais mais comuns são inchaço e desconforto depois das refeições.
Como intestino e cérebro conversam
O principal fio dessa conversa é o nervo vago, que liga o intestino direto ao cérebro. A maior parte das fibras desse nervo leva informação do intestino para o cérebro, e não o contrário [1]. Por isso o estresse mexe com a digestão, e uma digestão ruim também pode mexer com o humor.
A serotonina entra nessa história. Cerca de 90% dela é produzida no intestino, e as bactérias do microbioma participam dessa produção [2]. Essa serotonina não vai direto para o cérebro, mas atua na digestão e faz parte da comunicação entre os dois.
Isso ajuda a entender por que uma semana de pouco sono e muita pressão costuma aparecer também no intestino.
O que o cacau tem a ver com isso
O cacau é rico em flavanóis, um tipo de polifenol. Boa parte deles não é absorvida no começo da digestão e segue até o intestino grosso, onde vira alimento para as bactérias que vivem ali.
Num estudo de 2011, adultos que tomaram uma bebida de cacau rica em flavanóis por quatro semanas tiveram aumento de bifidobactérias e lactobacilos, dois grupos ligados a um intestino saudável [3]. Foi um estudo pequeno, com pouco mais de 20 pessoas, e o tema ainda está sendo pesquisado. Mas o resultado vai na mesma direção de outros trabalhos sobre polifenóis e microbioma.
O cacau puro também tem bastante fibra, que alimenta essas mesmas bactérias. Por isso a forma importa: quanto menos processado o cacau, mais desses compostos chegam até você. O nosso é 100% puro, de origem única, do sul da Bahia, sem aditivos.
Formas de incluir o cacau no dia a dia
Hábito que dura é o que dá prazer. Alguns jeitos de colocar o cacau na rotina:
Nibs de cacau
São pedacinhos da amêndoa de cacau quebrada, com pouco processamento. Têm sabor intenso e são crocantes, e vão bem com frutas, iogurte, granola, mingau e massas de pão. Como são a amêndoa quase inteira, mantêm a fibra e os compostos do cacau.
Mushroom Cacao
Nosso blend de 80% cacau com 20% de quatro cogumelos funcionais: reishi, cordyceps, chaga e juba-de-leão. Dá para tomar quente ou gelado, e ele não tem gosto de cogumelo.
Chá de cacau
Feito a partir da casca do cacau, tem aroma de chocolate e é leve. Quente quando está frio, gelado quando está calor. Fica bom puro, com um pau de canela na infusão ou, gelado, com um pouco de suco de laranja.
Cacao Beans Praline
É a nossa amêndoa de cacau inteira, caramelizada com açúcar demerara orgânico. Fica crocante, com o amargo do cacau equilibrado pelo caramelo. Dá para comer direto do pote ou picar por cima de iogurte ou sorvete. Como leva açúcar, funciona melhor como petisco de vez em quando, e a amêndoa inteira continua trazendo a fibra do cacau.
Pequenas mudanças que fazem diferença
O microbioma responde ao que se repete no dia a dia. Algumas práticas que ajudam:
- Comer fibras de fontes variadas, como frutas, verduras, leguminosas e grãos integrais.
- Dar preferência a alimentos pouco processados.
- Beber água ao longo do dia.
- Dormir bem.
- Cuidar do estresse. O artigo sobre breathwork aqui no jornal traz um exercício simples para começar.
- Incluir alimentos ricos em polifenóis, como cacau e frutas vermelhas.
Nenhum alimento sozinho resolve a saúde do intestino. O que pesa é o conjunto de escolhas repetidas ao longo do tempo, e o cacau pode entrar nesse conjunto como uma das partes mais gostosas.
Se você tem algum problema intestinal ou usa medicamentos, converse com um profissional de saúde antes de mudar a alimentação.
Referências
- Cryan J. F. et al. (2019). The Microbiota-Gut-Brain Axis. Physiological Reviews, 99(4):1877–2013. doi:10.1152/physrev.00018.2018
- Yano J. M. et al. (2015). Indigenous bacteria from the gut microbiota regulate host serotonin biosynthesis. Cell, 161(2):264–276. doi:10.1016/j.cell.2015.02.047
- Tzounis X. et al. (2011). Prebiotic evaluation of cocoa-derived flavanols in healthy humans by using a randomized, controlled, double-blind, crossover intervention study. American Journal of Clinical Nutrition, 93(1):62–72. doi:10.3945/ajcn.110.000075

